Este blog foi criado para reunir algumas criaturas que sofrem de insônia e mesmo cheios de compromissos e afazeres arrumam tempo para exercer sua criatividade e inspiração. A taberna é um lugar onde você e esses poetas loucos que aqui divagam podem conversar, filosofar, trocar figurinhas e tudo mais que envolva o ato poético. Entre um gole e outro tudo pode acontecer.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
distante
terça-feira, 27 de março de 2012
Para não esquecer o que pensei
Para me mostrar na manhã seguinte...
Que, na verdade, eu nada sei
Preciso de um poema
Para quebrar o gelo
Que fale por mim
Que torne o que eu sinto, belo
Preciso de um poema
Para libertar o coração
Que espalhe por aí
Um pouco de emoção
É algo para se reler e se fazer sonhar
É algo que me deixa estar.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Forasteira.
Caia a noite na cidadezinha tão longe do céu e todos os habitantes insólidos puderam ver pela primeira vez, como num deslumbre, a sombra compacta da estranha que por ali rondava.
Ninguém perguntara a ela, nem mesmo tentaram acenar de longe, como estava deslocada.
Onde todo mundo se conhece, quem não sabe donde vem é que tem medo de se reconhecer.
Na avenida central, a banda se remexe. Porque é domingo. E domingo domina o cloreto.
Mas a gente sempre sabe, sabe que aquela menina que ronda hoje por aqui, não nos pertence. Nos olhos dela esta a calma de quem vê o que não se sente.
Estamos a observar, aonde quer que vá.Qual é o preço da destilação de origens? Eu pago
Pra ver do que é feito o mel de seu olhar, que me gruda. Cola logo em mim que te carrego bem longe daqui, pronde não te caçam.
No crepúsculo que despedia o dia, ela morou comigo por longos anos eternos, e nos viramos
Juntos para sumir deste lugar inóspito, hipócrito. Já de repente
O mundo estava num misto de rosa choque vermelho vivo laranja mecânico.
Ela se afasta, peito arfando, decidida a se mandar dali. Eu quero que saiba que pode voltar
Mesmo sabendo que de nada adianta. Afundo na cidade que um dia fundara.
Mal me quer-bem me quer, sei que não voltará pra essa terra sem estranhos. Temo
A chama das horas que me deglutirão,
Sozinho
Bem no meio da cidade amada.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
paixões catastróficas e tempestades...
os galhos balançavam,
e as folhas caiam devagar
os ciscos voam pelas ruas,
se espalham pelo ar,
como as fotos que rolam pelas calçadas,
que deixei o fogo queimar...
pois, paixões catastróficas são como cinzas e nuvens
que deixamos o vento levar,
como lembranças e histórias que se perdem
ou caminhos que encontramos sem esperar...
Assim, tudo uma hora se vai...
como as páginas que rasgamos,
as cartas que não mandamos,
como dias que choramos até soluçar...
são fúrias passageiras,
que deixamos escoar
entre as veias, os vãos e os ralos
e minutos de desespero, cheios de ilusão
que só o tempo vai curar...
E mesmo que pairem,
os vestígios por aí,
em um esgoto a céu aberto,
ou um lugar qualquer...
que possam adormer estes fragmentos,
pois, não há nada mais a simbolizar,
nem mesmo o estrondoso silêncio
que se fez entre nós,
enquanto esperávamos a tempestade chegar.
Potira Souto
13-12-2011
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
O amor que nasce da saudade
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Distinto fim para um não-distinto movimento.
A fome do metabolismo mora na condição de humanidade explanada em pesar. Peso em consciência amarga só de pensar no quanto perco em te fitar de cima a baixo agora, e, no entanto, a inconstância de todo este instante é facilmente persuadida pela espera milenar em junção de almas. Ah, sim; queremos uniformizar as almas em algo inconstantemente sólido- tanto quanto possa se tornar vítima da própria criação-, para que sejamos belamente casados na eternidade que duvidamos existir, “porém nos extraviamos” (como diria Chaplin no seu ultimo discurso conhecido). Queremos jogar o lance para o próximo corpo sólido que se apresenta cansado e mórbido na sala de estar- o mesmo cômodo em que comemos e brigamos e brindamos e bancamos os loucos donos da cena “e é ela ainda que... é ela que... paz, só falo de sonhos, prole ociosa de um cérebro vadio a qual de nada provém se não da inútil fantasia...” (sim, falo de Shakespeare, pra não perder o costume e também a humanidade).
Mas é meu dever agora volver para o desespero acumulado, pras horas que aparentam faltar no seu dia cheio; não porque me fora designado tal destino de conto, porém porque meu impulso mora em seu olhar angustiante ao segurar- com suas delicadas e brilhantes mãos preciosas- num metal qualquer feito para transporte universal (mais conhecido como publico), e quero ver-te fugindo dessa armadilha estéril. Quero ver-te correndo, com sede, ao pote inexpugnável da fé. DA SUA FÉ. E que nada possa entristecê-lo tanto quanto a freqüência do conhecido módulo. Saia do módulo porque não é necessário ser sempre positivo. Esqueça-se, por um instante, das preces moldadas em prol do riso inexpulsável; mesmo que essa oração venha de sua mãe- o-porto-seguro-de-todos-os-tempos-amém-, siga nada religiosamente. - Assumo então, o papel de Jean-Claude Carrière em “Fragilidade” ao citar (novamente) Shakespeare por aqui: “Sim, pelos céus”. - Desculpe-me ser didática, de qualquer maneira que isso possa soar, é só que apelo pelo eterno para que sejas igualmente infindável com a alma e o coração.
Pense nas coisas absurdas que já disse por hoje e não no que pretende dizer amanhã. Sua mente é tão reconfortante quanto a minha- pequena e inabitável por mais de sete minutos de completa concentração-, entretanto é nela que temos a chance (eterna, diga-se de passagem) de exploração sublime. Torne-se meu amor para que me sinta a vontade o suficiente para contar-lhe a solução do mundo. Torne-se minha cria para que lhe aprecie a face por inteiro. Torne-se meu espelho perfeito. Torne-se algo. Pelo amor de Deus, torne-se algo...
