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segunda-feira, 19 de novembro de 2012


Afaga meu afeto,
Destrói meu concreto, constrói...
Faz o inesperado, momento mágico,
Faz-me (re)acreditar!

Toca a alma,
Bagunça o novelo, tece...
Transforma em sonhos,
Revida vida!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

soneto torto


Canto versos sem notas,
Perco-me num plano arco-íres,
Onde sinto a brisa de um furacão,
Bailando entre ex-gotas, sem água.

Do abraço, ponho-me em fuga,
Longe de lábios, amor.
Quero a multidão da contramão,
Quero a dor de uma rosa e sua ladainha.

Mundo de faz de contas,
Uma mentira em cada alma,
Esmolar-me-ei ar e percepção!

Mas a prostituição me faz força,
Traz, do apelo, um suspiro.
Alucinação!

monólogo de mim mesmo

Por ser assim tão só,
Busco a companhia de minha alma,
Canto, verso, iludo!

Saio de fininho,
Sem que eu perceba.
Quero buscar alguém.

Fujo para os que não acredito,
Tento, até me esforço,
Mas não dá, volto a me encontrar.

E como num solo,
Continuo a cantar.
Longe, a me acompanhar!

distante

Diante dos teus olhos,
Nada me faz contente,
Quero, preso nesta corrente,
Preciso ter coragem, esperar.

Diante do seu coração,
Rio um riso desesperado,
Busco fugas, medos... escuro,
Escondo-me de mim, não posso tocar.

Diante de tua alma,
Rastejo pelo inconsciente,
Me torno inconseqüente,
Vivo esperanças... esperar!

terça-feira, 27 de março de 2012

 Preciso de um poema
Para não esquecer o que pensei
Para me mostrar na manhã seguinte...
Que, na verdade, eu nada sei

Preciso de um poema
Para quebrar o gelo
Que fale por mim
Que torne o que eu sinto, belo

Preciso de um poema
Para libertar o coração
Que espalhe por aí
Um pouco de emoção

Preciso escrever, ler, recitar...
Pois, um poema conforta, contenta e conforma
É algo para se reler e se fazer sonhar
É algo que me deixa estar.

Potira Souto

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Forasteira.

Caia a noite na cidadezinha tão longe do céu e todos os habitantes insólidos puderam ver pela primeira vez, como num deslumbre, a sombra compacta da estranha que por ali rondava.


Ninguém perguntara a ela, nem mesmo tentaram acenar de longe, como estava deslocada.

Onde todo mundo se conhece, quem não sabe donde vem é que tem medo de se reconhecer.

Na avenida central, a banda se remexe. Porque é domingo. E domingo domina o cloreto.

Mas a gente sempre sabe, sabe que aquela menina que ronda hoje por aqui, não nos pertence. Nos olhos dela esta a calma de quem vê o que não se sente.

Estamos a observar, aonde quer que vá.Qual é o preço da destilação de origens? Eu pago

Pra ver do que é feito o mel de seu olhar, que me gruda. Cola logo em mim que te carrego bem longe daqui, pronde não te caçam.


No crepúsculo que despedia o dia, ela morou comigo por longos anos eternos, e nos viramos

Juntos para sumir deste lugar inóspito, hipócrito. Já de repente

O mundo estava num misto de rosa choque vermelho vivo laranja mecânico.

Ela se afasta, peito arfando, decidida a se mandar dali. Eu quero que saiba que pode voltar

Mesmo sabendo que de nada adianta. Afundo na cidade que um dia fundara.


Mal me quer-bem me quer, sei que não voltará pra essa terra sem estranhos. Temo

A chama das horas que me deglutirão,

Sozinho

Bem no meio da cidade amada.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

paixões catastróficas e tempestades...

Debaixo daquelas árvores,
os galhos balançavam,
e as folhas caiam devagar

os ciscos voam pelas ruas,
se espalham pelo ar,
como as fotos que rolam pelas calçadas,
que deixei o fogo queimar...

pois, paixões catastróficas são como cinzas e nuvens
que deixamos o vento levar,
como lembranças e histórias que se perdem
ou caminhos que encontramos sem esperar...

Assim, tudo uma hora se vai...
como as páginas que rasgamos,
as cartas que não mandamos,
como dias que choramos até soluçar...

são fúrias passageiras,
que deixamos escoar
entre as veias, os vãos e os ralos
e minutos de desespero, cheios de ilusão
que só o tempo vai curar...

E mesmo que pairem,
os vestígios por aí,
em um esgoto a céu aberto,
ou um lugar qualquer...

que possam adormer estes fragmentos,
pois, não há nada mais a simbolizar,
nem mesmo o estrondoso silêncio
que se fez entre nós,
enquanto esperávamos a tempestade chegar.

Potira Souto
13-12-2011