Páginas

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O amor que nasce da saudade


O amor não nasce apenas da convivência. Pela vida fora encontramos pessoas únicas, que nos fazem sentir insubstituíveis e nessas horas a distância é amiga e nossa inimiga.
Ao passo que podemos fazer malabarismos para estar com alguém, gostamos de estar no nosso canto pensando em como esse alguém nos faz bem e na falta que ela nos faz.
O destino é o vilão dos amores. Ele nos une e nos separa várias vezes. E a saudade esmaga nosso peito, nos faz sentir ausência do outro. Como naquele dia em que resolvemos comprar passagens para lugares diferentes, que acabaram nos levando a belas paisagens, e sim, sonhamos acordados, pensamos que existia ainda uma possibilidade de estar lado a lado, compartilhando mais um momento de felicidade e plenitude.
Nossas escolhas também nos conformam. Não desistimos de estarmos mais perto, também escolhemos que o melhor para nós, era estar um com o outro, sem precisarmos estar disponíveis todas as horas do dia, nem compartilhando o mesmo endereço.
Muitos enlouquecem só tentar entender ou escutar nossas indecisões. Mas, decidimos que o que sentimos também não precisa de rótulo. Decidimos também que andar na corda bamba, nos faz querer estar mais vezes deitados na mesma cama dizendo o que um significa para o outro.
Sabemos que podemos encontrar em outras pessoas sentimentos, mas não vai ser nada parecido com essa loucura toda que chamados de amor. Até gostamos de boas companhias, mas sabemos que a nossa não se compara.
O que nós não sabemos é de onde vem, nem para onde vai esse sentimento que a cada encontro parece sublimar e conforta nossos corações. O amor, às vezes, nasce da saudade, de momentos únicos e da disposição de cada um. Nessas horas, o que menos importa é quanto tempo vai durar, o que importa é que ele sobreviva.

Potira Souto

quarta-feira, 3 de agosto de 2011


vem logo, me dê a mão!
me ajuda, me dê a mão!
não sou de pedir, mas realmente preciso,
não só sua mão, mas coração, pulmão, perdão...
quero gritar, me falta ar,
quero chorar, as lágrimas estão secas,
quero ir, me encontro preso.
quero amar, digo, estou amando!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Distinto fim para um não-distinto movimento.

A fome do metabolismo mora na condição de humanidade explanada em pesar. Peso em consciência amarga só de pensar no quanto perco em te fitar de cima a baixo agora, e, no entanto, a inconstância de todo este instante é facilmente persuadida pela espera milenar em junção de almas. Ah, sim; queremos uniformizar as almas em algo inconstantemente sólido- tanto quanto possa se tornar vítima da própria criação-, para que sejamos belamente casados na eternidade que duvidamos existir, “porém nos extraviamos” (como diria Chaplin no seu ultimo discurso conhecido). Queremos jogar o lance para o próximo corpo sólido que se apresenta cansado e mórbido na sala de estar- o mesmo cômodo em que comemos e brigamos e brindamos e bancamos os loucos donos da cena “e é ela ainda que... é ela que... paz, só falo de sonhos, prole ociosa de um cérebro vadio a qual de nada provém se não da inútil fantasia...” (sim, falo de Shakespeare, pra não perder o costume e também a humanidade).

Mas é meu dever agora volver para o desespero acumulado, pras horas que aparentam faltar no seu dia cheio; não porque me fora designado tal destino de conto, porém porque meu impulso mora em seu olhar angustiante ao segurar- com suas delicadas e brilhantes mãos preciosas- num metal qualquer feito para transporte universal (mais conhecido como publico), e quero ver-te fugindo dessa armadilha estéril. Quero ver-te correndo, com sede, ao pote inexpugnável da fé. DA SUA FÉ. E que nada possa entristecê-lo tanto quanto a freqüência do conhecido módulo. Saia do módulo porque não é necessário ser sempre positivo. Esqueça-se, por um instante, das preces moldadas em prol do riso inexpulsável; mesmo que essa oração venha de sua mãe- o-porto-seguro-de-todos-os-tempos-amém-, siga nada religiosamente. - Assumo então, o papel de Jean-Claude Carrière em “Fragilidade” ao citar (novamente) Shakespeare por aqui: “Sim, pelos céus”. - Desculpe-me ser didática, de qualquer maneira que isso possa soar, é só que apelo pelo eterno para que sejas igualmente infindável com a alma e o coração.

Pense nas coisas absurdas que já disse por hoje e não no que pretende dizer amanhã. Sua mente é tão reconfortante quanto a minha- pequena e inabitável por mais de sete minutos de completa concentração-, entretanto é nela que temos a chance (eterna, diga-se de passagem) de exploração sublime. Torne-se meu amor para que me sinta a vontade o suficiente para contar-lhe a solução do mundo. Torne-se minha cria para que lhe aprecie a face por inteiro. Torne-se meu espelho perfeito. Torne-se algo. Pelo amor de Deus, torne-se algo...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Dormi,
Fui tão feliz nesse tempo,
Tantos lugares visitados,
Tantas pessoas encontradas...
Aquela velha senhora,
Bri(nca)gando com os carros da esquina.


Dormi,
Esqueci, meus problemas,
Esqueci a minha vida...
Na verdade, vivi uma vida nova,
Uma vida que eu sempre quis.

Dormi,
Abri os olhos do meu coração,
Dancei, com a solidão,
Provoquei risos, ri também...


Dormi,
Encontrei você, feliz,
Fui feliz com você, te levei comigo...


Dormi,
Assim, basta-me apenas dormir.


Dormi...
Diante dos teus olhos,
Nada me faz contente,
Quero, preso nesta corrente,
Preciso ter coragem, esperar.

Diante do seu coração,
Rio um riso desesperado,
Busco fugas, medos... escuro,
Escondo-me de mim, não posso tocar.

Diante de tua alma,
Rastejo pelo inconsciente,
Me torno inconseqüente,
Vivo esperanças... esperar!
Dúvida? Vontade de não ser poema. Querer da vida, formas simples, não redondas. Tratar as sombras, como sombras mesmo, fugir de monstros, enfrentar dilemas...

Ar? Ter chance de escolher. Leve, voar, como balão perdido. Fazer dos ventos, morada sem fim...

Vida? Pra quê? Tão mais fácil dormir, sentir o peso de panos, que se vão pelo ar. Transformar o eu, quem sabe ainda encontrar-me...

Paz? Incógnita, utopia, dor! Fazer do certo o correto, rir por não acreditar no incerto. Ter a certeza de não querer existir, por ser simples...

Morte? Quem sabe a razão? Terminar o ontem todos os dias, definhar. Sentir prazer por esperar, deixar sonhos, viver!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Tem coisas que a gente ACHA...
Que buscamos e na busca nos perdemos
Que temos o direito de se perder e cair em si 
Que o certo até pode dar errado e vice-versa
Que o tempo é curto e as oportunidades são raras
Que temos controle sob a intensidade das nossas ações
Que ganhamos porque demos a última gargalhada
Mas quando o assunto é paixão, só nos encontramos...
Quando intimamente todos modificamos nossos padrões.

potira souto.